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Gratidão

Agradeço aos lisiantos.

Agradeço aos lírios.

Agradeço às margaridinhas roxas de miolo amarelo.

Agradeço à água e ao vaso bonito…

Por trazerem de volta a cor, o perfume e a beleza à minha vida.

Coisa simples cuidar de flor. Mais, muito mais que de bicho.

Basta só um convite, daqueles silenciosos, matreiros, para transformar a vida da gente em um jardim florido.

Da semente que ali existia, brotou. Pra nunca mais parar de brotar… e florescer…e multiplicar…

Mas nem tudo são rosas…

Sim, eu sei. Mas como acontece, no meio do inverno, ao pensar no amor esquenta o coração e o sol de repente brilha?

Então… As flores sempre lá estarão… Nos períodos de seca, é só lembrar essa “buniteza” toda que o jardim volta a florir.

Simples assim… Bonito assim…

Que venham as astromélias, bocas-de-leão e o amor-perfeito.

Quero fazer dos meus dias uma arranjo enorme de gypsophilias. Leve e delicado.

Porque: “Se a perpétua cheirasse,

seria a rainha das flores,

mas como a perpétua não cheira,

não é a rainha das flores “…

Por isso, tomo “emprestado” o aroma que enche minha casa, minha vida e me transforma em uma nova criatura.

Rachel Távora

Queridos amigos e amigas do Fogão de Três Bocas, não sei se vocês são iguais a mim, mas será que às vezes param no tempo, e ficam pensando e revivendo momentos lá da infância?

Pois há momentos marcantes que sempre voltam ao pensamento presente. Vou contar um deles que foi extremamente marcante e super significativo:

Tinha mais ou menos uns dez anos, e minha irmã mais velha que na época tinha uns doze, a Aninha, sempre gostou de contar histórias, era ótima nisso. Ainda é só que agora estou muito grandinha prá ficar ouvindo suas historinhas. Agora ela conta pra os meus dois sobrinhos queridos: Maria Clara e João.

Aninha era tão boa nisso, que o mesmo livrinho ela lia umas duzentas vezes, sempre contando de formas diferentes, conseguindo prender nossa atenção o tempo todo.

Obs.: nossa, porque sempre tinha primas ou amiguinhas na roda da historinha.

Bom, certa tarde Aninha me grita lá do quarto da nossa mãe:

_ Quel, corre, vem cá!!!

E eu mais do que correndo voei até lá e me deparei com a Aninha em frente à janela, onde tem até hoje um pé de manacá (aquela arvorezinha linda que dá florezinhas roxas e brancas e tem um cheirinho delicioso). Aninha olhou para mim e disse:

_ Quel (me lembro perfeitamente como se fosse hoje), você tá vendo aquele algodão ali em cima? (Ela tinha colocado um bolo de algodão molhado em violeta genciana num galho alto do manacá). Continuou:

_ Esse algodão, nasce de 1000 em 1000 anos e é o algodão da Felicidade! Quem conseguir “pegar ele” vai ser a pessoa mais feliz do mundo!!

Eu, mais que depressa dei um super pulo, peguei o algodão e nem titubeei: o coloquei na boca e engoli:

_ Oba!! Vou ser a pessoa mais feliz do mundo!!!

Aninha concordou. Só foi me dizer que ficou um pouquinho preocupada muitos anos depois, pois não sabia se a violeta genciana podia fazer mal ou não.

Mal não fez, só fiquei com a boca roxa. Mas valeu a pena! Prá ser feliz uma boquinha roxa não tem problema nenhum.

Esta é uma passagem que guardo bem nítida e colorida daquela infância tão feliz…

Obrigada maninha por me proporcionar momentos tão deliciosos!!!

Vou usar essa história com o Otto e a Tetê! Depois conto prá vocês!!!

Raquel Fernandes

Consciência arduamente assimilada e cotidianamente conquistada.

Lugar invisível para quem ainda não se vê! Presença de “espírito”-terra prometida que irrompe a fadiga, instala a leveza, encanta a desilusão e formata a vida- remanso da “nova e eterna aliança”, doada a todos nós!

Utopia feminina, resposta às mudas vozes falantes, desestabilizadoras de vidas plenas- não mais metem medo.

O TERÇO estilhaçado deixa de ser mantra do antigo ROSÁRIO, agora, novo e encorajador e silencioso de quase mudo… Pacificador da ignorante passividade omissa e submissa.

Cabe o latifúndio- há de haver muita vida vivificante no caminhar.

Marla P. Costa

*Vicente de Carvalho – Poemas e Canções


MENINA E MOÇA

Tu, que és quase uma criança,

E que enlevada sorris

A’ tentadora esperança

De ser amada, e feliz;

Sê formosa; entre as formosas

Reina e brilha, se puderes:

Que a beleza nas mulheres

É como o viço nas rosas.

Sendo bonita e mais nada

Cumpre a mulher com fulgor

Sobre a terra iluminada

O seu destino de flor.

Sê bondosa; entre as melhores

Sê a melhor, se puderes:

Que a bondade nas mulheres

É como o aroma nas flores.

Meiga, formosa, querida,

Ama e sê amada: o amor

Na areia solta da vida

Brota roseiras em flor.

Serás feliz? Ai, não queiras

Ser feliz: às mais ditosas

Brotam mágoas entre as rosas

Como espinhos nas roseiras…

Tu, que és quase uma criança

E acreditas quanto diz

A enganadora esperança

De ser amada e feliz,

Sê resignada: a roseira

Que mais viça e mais prospera

Dá rosas – na primavera

E espinhos a vida inteira…

“Sê bondosa se puderes que a bondade nas mulheres é como o viço nas flores”…

Vicente de Carvalho

Sempre achei que eram de minha avó, estas palavras… Pois é …e nunca mais me esqueci. Minha avó repetia este versinho quase diariamente, e foi assim em verso e prosa que fui criada pela minha adorada Hermengarda. Sim, sou “moça criada com vó”! E ultimamente tenho pensado muito nela…Como seria seu olhar pra mim hoje, que já virei mulher…Com que olhar…

Sempre foi o meu espelho e ideal de conduta. Mulher forte, mas de voz e gestos gentis. Postura elegante, palavras doces e sábias, um senso de humor REFINADÍSSIMO…Além de um bom gosto indiscutível!

Mansa, mãe, mulher e … Avó! Daquelas que marcam pra valer a vida de uma menina sonhadora com histórias dos barões do café, dos diamantes de sua vizinha Condessa Blandina, da organza suíça e do Fleur d’Amour… Perfume que não conheci, mas o recriei em minha memória olfativa, mesmo assim…

Sou detentora dos registros orais, históricos de minha família, que os recebi em horas a fio de conversas para dormir, e então, alimentaram meus sonhos e minha imaginação pueris.

Vovó… Feminina, se formou nova em curso superior! Era, naquela época, bacharel perito-contadora. Não trabalhou na área depois do casamento (se casou aos 25 com quem quis e porque quis). Sabia o que podia…Pode; fez. Ninguém tiraria dela seu conhecimento. Conhecimento da vida…

A liberdade de escolher a família foi toda dela. Por AMOR.

Sempre foi muito mais do que parecia ser e do que todos pudessem imaginar. Mas eu, agora, a compreendi… Só depois de moça entendi suas escolhas e seu estilo de conduzir a vida.

Hoje, com as lembranças mais doces que guardo de minha avó, fica o aprendizado: “Liberdade ainda que tardia”…

Com toda a elegância e educação que me foram delegadas, aprendendo todos os dias como realmente sê-las (tomara que um dia chegue lá), e com a presença eterna da doce Hermengarda em meu coração, me lembro diariamente que com AMOR e por AMOR, escolho ser LIVRE!

Rachel Távora

Mademoiselle Chanel, sem dúvida a maior personalidade de moda do século, costumava dizer com ironia: “Podem copiar meus modelos, é um prazer.”

Coco jamais dizia a sua idade. Certa vez, um jovem repórter americano foi entrevistá-la; “Um certo garoto metido num paletó-jaquetão”. Disse ela.

_Senhorita, um amigo e eu estamos revolucionando a arte de dar entrevistas; fazemos apenas três perguntas ao entrevistado.

_Nada mal.

_A senhorita aceitaria responder?

_Ainda não sei. Comece, estou com pressa.

_Qual é a sua idade?

_Você não tem nada a ver com isso.

_Não é uma resposta, senhorita.

_Tem razão. Direi então que minha idade depende dos dias e  das pessoas com quem estou.

_Ótimo!

_Espere um pouco. Quando me aborreço, eu me sinto muito velha, e como estou me aborrecendo profundamente com você, logo terei

mil anos, se você não der o fora imediatamente.

Coco tinha verdadeiro horror que lhe chamassem pelo diminutivo; Gaby, seu pai, a chamava de queridinha, em francês “petit Coco”. Daí o seu apelido “Coco”, embora seu nome de batismo (que costumava ser realizado no hospital, imediatamente após o nascimento) foi dado em homenagem à irmã de caridade que cuidava de sua mãe: Gabrielle-Benheur.

Gabrielle perdeu a mãe aos seis anos de idade, e foi criada por duas tias, pelas quais sentia muita gratidão e profunda mágoa. Dizia Coco:

“Tinham prometido me educar, mas não a me amar. Arrependiam-se por ter concordado, num momento de emoção, em tomar conta de mim. Apesar de tudo, devo-lhes muito.”

Dede pequena, Coco tinha um senso estético apurado, e sabia desde então o que era belo e o que não era. Um episódio engraçado se passa na sua primeira comunhão, onde suas tias queriam que ela usasse uma touca com seu vestido branco. Ela queria uma coroa com rosas de papel, que achava maravilhosa. Gabrielle relutou, e disse que se a forçassem a usar aquela touca de camponesa, ela não iria fazer a primeira comunhão.

_Para mim, tanto faz fazer ou não a primeira comunhão!

Acabou usando a coroa de rosas de papel.

Certa vez Coco, (com aproximadamente dezessete anos), e sua irmã Adrienne foram passar férias com uma tia que possuía uma casinha em Varennes-Sur-Allier. Era dia de festa na cidade e havia carrossel e algodão doce na pracinha. Um dos barraqueiros pediu às duas que tomassem conta de sua barraca enquanto levava sua mulher doente ao hospital. O estoque de confetes foi rapidamente esgotado. As duas, calculando o lucro, viram que dava para ir de trem a Paris. Adrienne, que administrava o dinheiro, comprou bilhetes de segunda classe, não querendo viajar de terceira. Na época, havia vagões até de quarta classe. “Vamos de primeira classe”, decidiu Coco. Foram pegas pelo fiscal, que não se deixou comover, e tiveram que pagar uma multa.

Coco nunca esquecera o episódio: “Eu bem que disse a Adrienne para comprar bilhetes de primeira classe, teria evitado a multa.”

Bem, Coco era muito astuta, e desde sempre muito sabida. Chegou a dar emprego a quatro mil operárias e era adorada pelo homem mais rico da Inglaterra. Passou a se chamar Mademoiselle Coco Chanel. Dizia: “Podemos nos habituar à feiúra, nunca à negligência”.

Isto è Chanel.

Raquel Fernandes

Quando convidei minhas queridas amigas (Rachel Távora e Raquel Fernandes) para JUNTAS escrevermos, não sabia que nossos pequenos textos seriam “virtualmente” colocados de “TRÁS pra FRENTE”. Explicarei. Na minha cabeça, inicialmente seriam dadas as nossas BOAS VINDAS a vocês, queridos leitoras e leitores (será?). Mas equivoquei-me ao constatar que a “MODERNA” tecnologia parece DES-CO-NHE-CER delicadezas e mimos que desde a CRIAÇÃO DO MUNDO, são portadores de CURAS para nossas almas desconsoladas e nossos corações entristecidos!

Então, diante dessa PATAQUADA, cá estou eu, tentando CONSERTAR O ESTRAGO! Em meu nome e das amigas queridas, pedimos SINCERAS DESCULPAS e, caso queiram conferir nossas FELICITAÇÕES, é só caminharem de “TRÁS para FRENTE” que lá as encontrarão! Desde já agradecemos!

Situaçãozinha pernóstica e paradoxal, não? ““ MODERNA” tecnologia que anda de TRÁS para FRENTE “… na minha terra quem anda de “trás para frente”é CARANGUEJO…Mas “vai entender”!

O que é estranho e ao mesmo tempo curioso é o PODER que a TECNOLOGIA tem, de iludir desinformados corações narcísicos e velozes. Quando digo velozes, é porque, na ânsia de contarem suas próprias histórias (quase sempre REPETIDAS), INTERROMPEM diálogos povoados de afetos, aprendizados, e numa velocidade quase instantânea, transforma-os em áridos desertos… Justificados seguidamente por “polidos pedidos de desculpas”… É de MA-TAR…

“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ecl1-2)

Falemos MENOS, também ao CALULAR, objeto vampiresco, indelicado, invasor de lugares sagrados: MISSAS, encontro com os irmãos e amigos queridos; refeições, salas de aula, palestras, trânsito, shows, cinema, teatro…e por aí vai!

Ouçamos MAIS, como São Francisco de Assis- o “SILÊNCIO”- de nossas “irmãs pedras”!

Olhemos MAIS uns nos olhos dos outros durante nossas conversas para não ESVAZIARMOS nem INFERTILIZARMOS palavras carregadas de SENTIMENTOS, ao levantarmos ou olharmos em outras direções!

Saibamos ser “velozes” atrás do que a vida nos desperta de melhor: VIDA- espaço para habitarmos a eternidade!

De que se faz uma delicadeza? Segundo minha querida mãe? DE “CALMA E ELEGÂNCIA”!

Marla P. Costa

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